
Um experiente pastor escreveu: O prato do dia em muitas mesas caseiras é a vida alheia. Alguém falou descuidadamente que – com freqüência a sua família, quando está reunida, almoça e janta sempre o mesmo cardápio: falar mal dos outros, como um condimento a mais. Como é difícil não fuxicar. Deve haver alguma atração doentia para o assunto, pois vira e mexe alguém é jantado com molho forte de pimenta e tudo. E como disse W. Knight, “não há maledicentes ociosos. Eles estão sempre ocupados”. Portanto, como um mal pecaminoso, a fofoca tem que ser vista em seus estágios:
I - IGNORÂNCIA
Significa que não sabemos o que é, seu perigo, como se processa, nem como fazer para evitar ou tratar. “Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como é posta ela mesma em chamas pelo inferno” (Tiago 3:6).
1 - Definindo: “Língua” - O uso que fazemos de nossas palavras, falando, ouvindo, concordando, omitindo-se, ou reforçando com atitudes e gestos.
2 - Identificando “o aproveitador” - 2 Coríntios 2:10-11.
3 - Conhecendo os males do mau uso da língua:
a) Separa os melhores amigos - Provérbios 16:28
b) Ferem mortalmente - Provérbios 18:21
c) É venenosa - Salmo140:1-3
d) É destruidora - Provérbios 11:9
e) Vem de um coração mau - Mateus 1:18-19
4 - Sabendo como se processa:
a) Palavras más - Salmo 109:20 (expor defeitos de uma pessoa a outra)
b) Cochichos - Salmo 41:6-8 (expor erros cometidos)
c) Falar coisas ruins na ausência da pessoa - Romanos 1:30 “Não diga nada de um irmão, se você ainda não disse na frente dele e resolveu o assunto” (A. W. Tozer)
d) Espalhar suspeitas - 1 Timóteo 6:4
e) Mexericos - Levítico 19:16 (conversar da vida alheia: “atentar contra a vida do próximo”)
f) Tagarelice ou fofoca - 1 Timóteo 5:13 (ouvir e espalhar boatos)
g) Julgamentos sem misericórdia - Tiago 4:11-12
5 - Entendendo que há problemas interiores em quem faz mau uso da língua - Hebreus 12:15 (pessoas assim demonstram insatisfação pessoal, inveja, auto-rejeição, transferência de culpa, etc.).
II - CONTATO
Nossa velha natureza é atraída por uma aproximação de tecer ou ouvir comentários negativos acerca de outra pessoa - Provérbios 18:8 e 26:22.
São conhecidas as estratégias de quem quer espalhar alguma coisa de alguém, pois geralmente ela sonda a pessoa antes de fazer o comentário:
- Pergunta a sua opinião sobre alguém... ou faz um pequeno comentário para saber a sua reação...
- Faz uma pergunta: Você sabe o que fez o fulano? O que você acha daquele assunto? Você não imagina o que ouvi sobre ele...
- Eu queria que você me aconselhasse nesse assunto, pois fulano...
- Eu só falo isso com você, pois sei que você é de confiança...
Como, então, verificar a sinceridade e o temor do SENHOR?
Podemos ver como é difícil detectar se é DESCONHECIMENTO ou má intenção.
Portanto, eis algumas dicas de como abordar essas situações:
a) Pergunte: Por que você está me contando essas coisas dessa pessoa?
Aumentando o número de pessoas conhecedoras só trará mais complicações!
b) Onde você obteve essa informação? (a recusa em identificar a fonte é uma confirmação da maldade do comentário). O que essa pessoa pensa que está fazendo em espalhar isso?
c) Você já tratou disso pessoalmente com essa pessoa? E o que ela disse? Qual foi a sua conclusão? E agora, por que está me contando?
d) Olha, eu vou tratar disso com ela, posso dizer que foi você quem me contou?
III - CUMPLICIDADE
Isto acontece quando ouvimos comentários maldosos, julgamentos descaridosos de pessoas, boatos, suspeitas e mexericos, sem ter uma reação bíblica. Em 2 Samuel 15:1-6, há o registro da sutileza de como Absalão intentou contaminar Israel, para dividir o povo em prol de sua causa:
1 - Ele fez um pequeno grupo mais confiável - Vs. 1
2 - Ele quis mostrar serviço (mostrou energia e disposição inigualáveis) - Vs. 2 A
3 - Colocou-se disponível ao povo - Vs. 2 B
4 - Buscou os insatisfeitos - Vs. 3
5 - Sugeriu a incompetência do pai - Vs. 4
6 - Aparentou preocupação - Vs. 5
7 - Escondia o que realmente queria - Vs. 6
IV - ATIVIDADE MALDOSA COM OS LÁBIOS
É quando a pessoa começa a ser controlada mental e emocionalmente pela mesma má natureza de falar mal das pessoas e passa a ser um espalhador de assuntos alheios e contendas - Provérbios 26:22-25.
1 - A pessoa passa a ficar “viciada” neste tipo de conversa...
2 - Fica perita em julgar as outras pessoas: Julga comportamento, julga o que disse, julga até o que a outra pensou... O perigo que Tiago menciona é que ela quase se sente Deus e dona de todos os discernimentos, pois a todos julga - Tiago 4:11-12.
3 - Transmissão dos comentários a outros - Provérbios 16:27
4 - A pessoa, sem perceber, fica agindo de forma contrária aos ensinos de Deus, e, ao invés de ser restaurador de vidas, torna-se um realçador de pecados e ajudando a arruinar a vida de pessoas e até da igreja.
V - A SOLUÇÃO DE DEUS
Quando chegamos a este ponto, parece-nos que é impossível para nós até falar alguma coisa sem estar já pecando, não é? Mas essa é uma armadilha do Diabo. Ele é perito nisso. Foi assim que ele enganou, e Eva caiu em seu mau desígnio, conforme Gênesis, Capítulo 3:
a) Maximizando o mandamento - Vs. 3. Exagerando o mandamento.
b) Minimizando as conseqüências - Vs. 4. Negando o mal que o pecado acarreta.
c) Rotulando as razões do mandamento - Vs. 5. Dizendo que Deus está nos privando de algo bom, pois Deus está proibindo com algum outro interesse.
d) Embelezando o mal - Vs. 6 A . Tornando o pecado atraente, como isca da armadilha fatal.
e) Caindo no “Conto do Diabo” - Vs. 6 B. Desobedecendo, finalmente, a Deus. (Adaptado de Virkler, Hermenêutica, capítulo 8)
Vejamos o que o SENHOR Deus quer de Seus filhos:
1 - Devemos guardar nossa língua de falar dolosamente - 1 Pedro 3:10 e Tito 3:1-2. (a crítica tem que ser construtiva, pessoal, oportuna e amorosa; e deve doer em nós)
2 - Devemos rebater os comentários maldosos que ouvimos - Provérbios 25:23 e Salmo 15:4.
3 - Quando formos vítima, devemos reagir como “epieikes” (moderado), que não procura retaliação, mas busca reconciliação - 1 Coríntios 4:13.
4 - Tratar todas as histórias e boatos diretamente com a pessoa envolvida e seguir os passos de Mateus 18:15-17.
Sabemos que não é fácil lidarmos com a língua. Mas é uma área que temos que cuidar sob rigorosa vigilância, a fim de não cairmos nas ciladas do “acusador de nossos irmãos” - Apocalipse 12:10. Os santos são benditos por suportarem comentários maldosos (Mateus 5:11). Fica para todos nós a bem-aventurança do Salmo 15, conforme 2 Timóteo 2:21.
– Pr. José Nogueira –
Informissões
Ano XX - nº 671 • Fortaleza, 24 de Junho de 2007